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Paredes Rugosas

Posted: May 8th, 2020 | Author: | Filed under: himen elastika literatura erótica anti-pornográfica | Tags: | Comments Off on Paredes Rugosas

 

 

 

– Às vezes tenho a impressão de que meu corpo tem uma textura estranha, rugosa, que não dá pra perceber de longe. Só sentindo. De longe eu acho que parece que tudo é liso, escorregadio. Quando eu passo a mão pelo meu corpo percebo como a parte de fora se parece com a parte de dentro, rugosa. Qual sua parte preferida da buceta toda?

(Estávamos juntas de novo, tentando ver um filme ou transar. Não sei. Nunca entendo. Pra mim sempre vale a pena transar um pouquinho mas sempre vale a pena ver um filme. Acontece que conversar sobre a buceta é muito estimulante e divertido. Mesmo que depois a gente não se agarre. Sinto um certo prazer em tocar no assunto e em ser compreendida.)

– Puts…tem que escolher uma parte? Da sua eu gosto dela toda.

– Não vale. Tem que escolher. A gente sempre gosta mais de uma parte.

– Gosta dela molhada, sei lá… da lubrificação, da parte dela que é responsável por te deixar molhada quando a gente tá junta. Adoro quando acho que tá molhada, te toco um pouco e vejo que tá. Me deixa mole, mexida, parece que vou derreter junto com você.

– Gostoso… tá bom, a lubrificação vale como uma parte que você gosta da buceta.

– E você? Gosta de qual parte?

– Pra mim é fácil! Das paredes rugosas.

– Como assim?

– Sabe quando você tá excitada, coloca um dedo até a metade e faz um movimento pra cima na direção da bexiga ou da barriga? Nunca consegui gozar assim mas eu sinto as paredes rugosas. Tem um milhão de teorias sobre elas e acho elas curiosas. Também é gostoso de ficar tocando. Mesmo que eu não goze. É uma pira minha com as vaginas.

– Sei. Falam que é bem por alí que dá pra ejacular, né? Soltar aquele jatinho. Parece um orgasmo mais intenso. Nunca tive. Na real, não conheço muito dessa parte. Sou viciada no clitóris e cada dia descubro um movimento novo que eu gosto. É infinito.

– Também gosto. Cê nunca tocou lá? Na parte rugosa?

– Acho que não. Me mostra?

Desci com a mão por dentro da calcinha. Essa conversa sobre nossas bucetas me deixou excitada. O corpo dela estava quente. Ela passou a mão por dentro do meu cabelo e começou a fazer um certo movimento. Entendi que era o movimento que ela queria que eu fizesse na buceta. Ela sempre faz assim. É o nosso combinado. A buceta tava molhada. Senti pela calcinha. Ia mostrar as paredes rugosas mas achei melhor tocar no clitóris um pouquinho. Seguindo o movimento que ela fazia em mim. Eu fazia nela. Um movimento na diagonal, pressionando um pouquinho, depois pressionando mais forte, mexendo os dedos mais rápido até chegar num ponto em que ela não consegue mais se concentrar no movimento que faz no meu cabelo e começa a respirar mais forte. A respiração fica alta e saem uns gemidos acompanhando a velocidade dos dedos. Rápido e pressionando um pouco. Demoram uns minutos nesse transe até que os gemidos silenciam um pouco e depois vem um gemido mais forte e rasgado. À cada gemido eu ficava mais molhada. Esqueci onde estávamos um pouco. Ela tira a minha mão e põe na boca. Achei que a parte que ela mais gostava da buceta era o gosto.

– Adoro gozar quando tô com você.

Outro combinado que tínhamos era o de que gozar dá fome. Então é sempre esse movimento de gozar e comer. Não que sejam muito diferentes. A cozinha é o segundo melhor lugar pra transar. O primeiro é a cama mesmo. Depois de tentar passar um café, recebi um beijo no pescoço quando estava distraída. Entendi que era a vez dela retribuir. Permaneci de costas, ofegando, gemendo um pouquinho. Ela baixou minha calcinha da saia devagar, primeiro com as mãos, depois com o pé. Veio com uma mão por trás e outra pela frente. Sentiu o clitóris e a entradinha da vagina. Eu tava encharcada por ela. Ela percebeu. Deixou as duas mãos no lugar. Começou a me tocar. Me apoiei da pia da cozinha meio desconcertada e deixei ela fazer. Gozei uma, duas, três… Pedi pra parar porque precisava respirar um pouquinho.

– A cozinha é o melhor lugar pra se ter um orgasmo atrás do outro.

– Adoro quando fico por trás de você.

– Não me olha assim. Fico querendo de novo. Vamo comer?

Comemos. Mesmo. Tem dias em que é bom ficar transando por várias horas. Dando uns intervalos pra interagir com outras coisas e depois voltar a fazer. Como num ciclo. Sem ser obsessivo.

– Quer descansar? Ver aquele filme?

– Quero.

Sentamos agora uma do lado da outra.

– Mas fiquei pensando no que cê disse, das paredes rugosas. Me mostra?

– Mostro. Deixa eu tirar sua calcinha?

Tirei a calcinha. Olhei pra ela o tempo todo explicando o caminho. Põe um dedo devagarinho, um pouco fundo, até onde for confortável. Volta com ele pra fora. Põe de novo e desce um pouco até sentir uma parede rugosa que parece listras ásperas.

– Tô sentindo uma sensação gostosa. Não é igual a quando toca o clitóris. Continua. Deixa eu sentir em você?

Tocamos uma na outra durante uns minutos. Ficou mais intenso pra ela então pedi pra parar em mim pra ela gozar. Foram mais uns segundos. Nosso outro combinado era o de que dormir também é gostoso. Então ela me chupou e depois dormimos

 


Esse Toquezinho

Posted: April 15th, 2020 | Author: | Filed under: himen elastika literatura erótica anti-pornográfica | Tags: | Comments Off on Esse Toquezinho

Esse Toquezinho

Estive pensando sobre porque é comum tocar siririca sem estar com tesão mas não é bom transar sem estar excitada, ou melhor, por que transar sem estar com tesão é tão ruim, enquanto se masturbar, na mesma situação, é quase sempre tão gostoso?

As vezes, ao me masturbar sinto que estou antecipando a excitação, chego antes que o próprio frio na barriga apareça e aí quando ele vem já ta tudo preparado. Dá pra fazer tanta coisa consigo mesma… Se juntar duas coisas que você gosta fica ainda melhor: massagear o clitóris e ler um livrinho, deixar um bullet vibrando em cima da buceta enquanto você faz carinho no próprio cabelo, dormir com a mão nos pêlos pubianos, acordar e gozar um pouquinho, ver série enquanto se masturba pensando em qualquer outra coisa, tocar várias siriricas enquanto está menstruada e com raiva… Muitas dessas situações não estão, necessariamente ligadas a um desejo de transar com outra pessoa (mas as vezes é sim e também é gostoso), só que há muitos outros impulsos pra se masturbar que também são ótimos e muito saudáveis como o próprio desejo de autoconhecimento, de ver o quanto de prazer você pode se dar (já que em outros aspectos da vida está difícil), ou ainda, o impulso de aprender técnicas para ensinar para as crushs, amigas e outras mulheres na esperança de fazer com que todas consigam e entrem nesse movimento.

Falando em “movimentos”, um dos primeiros movimentos que vem à cabeça das pessoas quando se trata de masturbação feminina é a penetração sem noção, sem coordenação e sem sentido e, em segundo lugar, o movimento circular no clitóris. Esses dois são clássicos mas não devem ser as únicas alternativas pras nossas bucetas porque às vezes você, como eu, gosta de movimento vertical ao invés de circular ou sente dor com penetração mas gosta de dar umas batidinhas com a ponta dos dedos na entrada da vagina perto do períneo. Tem muitos movimentos que podem ser feitos com os dedos, com o pulso, com a palma das mãos e com vibradores além do movimento circular, é só lembrar das figuras geométricas ou de desenhos abstratos.

O ritmo da siririca também é superestimado, não é com todas que funcionam os vibradores rápidos demais que chega a tremer a cama. Tem vez que também não é gostoso mexer o dedo rápido demais por cima do clitóris na intenção de gozar logo se, no lugar disso, você pode dar toques leves, devagarinho e prolongar os orgasmos. Quanto menos temos medo de demorar, melhor. O orgasmo percebe a pressa.

O resto do corpo também é extremamente importante pra siririca. A coluna arqueada e uma posição desconfortável pra sua cabeça não ajudam e talvez te causem mais stress do que se você sentasse direitinho ou deitasse com a barriga pra cima com as pernas abertas. Essa é a posição tradicional, que apesar de ser muito realizada, continua sendo positiva porque permite explorar vários dos movimentos, usar espelhos pra se ver enquanto se toca, permite tremer as pernas e várias outras sensações durante os orgasmos.

Masturbação feminina é esse toquezinho, leve, gostoso.

 


			 

Literatura Lésbica Erótica Anti-Pornográfica

Posted: April 13th, 2020 | Author: | Filed under: himen elastika literatura erótica anti-pornográfica | Comments Off on Literatura Lésbica Erótica Anti-Pornográfica

A coluna de contos eróticos HÍMEN ELÁSTIKA irá contar histórias, reais ou inventadas, sobre relações de mulheres lésbicas com outras parceiras e também com seu próprio corpo na dimensão do sexo e do erotismo. É importante lembrar que literatura erótica lésbica não é sempre pornográfica e que, inclusive, estes escritos são anti-pornográficos, ou seja, as autoras repudiam a indústria pornográfica e sua reprodução em contos eróticos encontrados em outros lugares que, dizem ser direcionados para mulheres lésbicas ou bissexuais mas na verdade desrespeitam o seu público-alvo, são misóginos e feitos pensados para o público masculino.

Diferente disso, os desenhos, as histórias, a imaginação e os textos são todos construídos por mulheres, declaradamente, lésbicas, feministas e anti-capitalistas. Desse jeito, é impossível que esta produção seja pornográfica. É um insulto que se seja chamada de literatura pornográfica porque os objetivos são contrários e conflituosos.

As autoras também não acreditam em pornografia feminista ou em tentativas de se ressignificar estrututras ou instituições misóginas. Apesar disso, acreditamos que mulheres lésbicas têm desejos sexuais e relações eróticas, amorosas e afetivas com outras mulheres que podem ser abordadas através de uma literatura diferente. Uma literatura que fale sobre siririca, saúde sexual contra IST’S e DST’s, relações não-exclusivas, sexo menstruada, imaginários sexuais e coisas pelas quais mulheres lésbicas passam.

@himenelastika no instagram