Posted: July 31st, 2020 | Author: silvamistica | Filed under: himen elastika literatura erótica anti-pornográfica | Comments Off on Dedilatex

Marcamos às 18hr. Conheci no Tinder apesar de já ter visto. Difícil conhecer alguma lésbica que alguém já não conheça por aqui. Essa rede às vezes é massa. Ajuda a evitar mal-entendidos ou os causa. Não dá pra ter tudo.
Pra não atrasar saí mais cedo. Pra não morrer de nervoso cheguei às 15hr. Assim dá pra conhecer o espaço, trabalhar o corpo, conversar com outros, se adaptar ao ambiente. No fim, nada adianta muito. Recebo um aviso que me dá calafrios: “cheguei no metrô”. Ainda sinto que vou morrer de nervoso. Me permito dizer que estou apaixonada um pouco. Reconforta. Assim que ela chegar, eu disfarço o calor que tô sentindo falando sobre qualquer outra coisa.
– Faz tempo que você chegou?
Falou pelas minhas costas. Me virei e fiquei apenas olhando sem falar.
– Te assustei? Se soubesse que já tava aqui tinha vindo antes. Tava perto.
Parei um pouco de só observar e finalmente respondi:
– Ah, eu sempre chego muito mais cedo. Faz parte do plano.
– Entendi. E aí no seu plano diz que a gente faz o que agora?
Lembrei que o combinado pra hoje era uma infinidade de coisas. Tínhamos um sarau aberto, um show que as duas queriam, algumas ruas pra só ficar andando… O combinado tinha sido “ver na hora o que rolar”. Todas opções pareciam ótimas mas o show faria barulho demais pra ouvir ela responder o meu interrogatório discreto de primeiro encontro, o sarau nos obrigaria a apresentar algo e o frio na barriga seria outro e as ruas não pareciam lá uma boa opção.
– Tem um lugar por aqui que não é nada do que combinamos.
– Haha! Então me mostra?
Atravessamos a rua e sentamos numa calçada, perto da onde sempre se encontram gente mais jovem e alguns músicos ou ativistas. Tem dia que é bom, tem dia que é irritante de leve. Ignorando isso, a vista pra uma parte da cidade é a melhor.
Uma cerveja pra cada uma. Descobri o mapa astral, o nome dos gatos e das irmãs mais novas. Não respondo muito pra não contar de vez tudo. Senti a temperatura do corpo baixar e ficar na temperatura-conforto. Podemos dar as mãos sem pedir e sem incomodar. Ainda não aconteceu um beijo. Entre alguns assuntos fica um silêncio, talvez seja o momento. Mas logo entramos em outro.
– Você costuma fazer sexo casual?
– Nos últimos anos, é só o que tenho feito. – ri.
– Pode crer. Circunstâncias da vida. Fiquei assim por uns anos também.
– E como se sente?
– Ah, acostumei. Não é tão legal depois de um tempo mas, às vezes, me diverte. Tem encontros que não precisam acontecer sempre mesmo. Precisam acabar antes.
– Tem dias que eu odeio e tem dias que acho gostoso. Então, aproveito o tempo e a saúde que ainda tenho pra isso.
– Sim. Me preocupa a saúde. Agora. Com a cabeça de hoje. Tento não pilhar demais pensando nos riscos enormes de se relacionar. Senão, nem faria.
– Sabe que não tô acostumada a discutir isso? Quer dizer, eu me cuido do que jeito que acho ideal mas a maioria das minhas parceiras nunca trocaram essa ideia. A saúde das sapatonas fica num limbo profundo. Tem que cavar pra chegar.
Conversamos um tempo mais sobre tudo. Não tinha mais certeza se nos beijaríamos. Será que que tinha esquecido? Estava um pouco mais tarde e nós percebemos porque alguns grupos dispersaram. Chega uma hora em SP em que você tem que decidir se vai para o metrô ou não.
– Quer ir pra minha casa continuar conversando sobre saúde sexual?
Rimos. – Desculpa ter feito isso virar uma consulta.
– Não desculpo porque gostei. Continuaria aqui mas se a gente não se ligar vamo ficar na rua. Pensei da gente ir pra minha casa mesmo porque lá dá pra trocar essa ideia até cansar, dormir, comer, se pá transar. Tô aberta.
Fomos. Tive vontade de mandar mensagem prazamigas no caminho dizendo que a ideia de conversar com as parceiras sobre sexo, prevenção e etc não é o monstro social que criamos.
A casa tinha umas plantas grandes e pequenas na entrada, nos corredores e dentro. Ela me disse como gostava especialmente de algumas e como outras eram básicas pra tudo que precisava. Camomila pra irritações leves. Na vagina ou na cabeça. Alecrim pra crescer os pêlos que não retiramos. Barbatimão pra feridas físicas, sem metáforas. Canela com vinho é afrodisíaca.
– Significa que vai me dar vontade de transar com você?
– Sim. Leva um tempinho pra preparar. Teria que ter sido feito antes.
– Que pena.
– Ainda bem que já preparei.
– Haha! O que te fez preparar antes?
– O primeiro encontro que teria com você.
Um copo pra cada uma. Senti a temperatura do corpo indicar tesão. Nossos corpos se aproximaram. Tem uma música que toca na minha cabeça que estávamos ouvindo na calçada daquela praça. Combina com os cabelos que coloco pra trás quando nos beijamos. Perfeito o cenário. Tentamos ir pro quarto, parando em praticamente todos os cômodos e cantos do caminho. Um beijo afrodisíaco em cada pedaçinho. Na cama, deitamos uma ao lado da outra. Nos olhamos enquanto cada uma tira a própria roupa rápido e rimos. Às vezes, é bom passar 40 minutos se beijando. Ela me pede um minuto, pega uma camisinha masculina e corta de um jeito que vira uma mantinha. Pede pra me chupar. Coloco uma almofada no quadril e abro as pernas ao máximo. Trago sua cabeça pra perto e fecho os olhos. Preciso de outra almofada pra não gemer alto. Ela faz um sinal com a cabeça dizendo que não precisa. Antes de chegar aqui, conversamos sobre como gozar e gemer são complementares. É melhor quando se pode soltar e se permitir ser sensível. A língua continua no mesmo ritmo. A minha respiração é que se descontrolou e que o meu corpo automaticamente contraiu as pernas.
– Afrodisíaca é você.
Posted: July 28th, 2020 | Author: silvamistica | Filed under: antropologia autonoma, antropologiaz | Tags: aborto, embarasozo, embarazo, embarazoso, feminismo, pequena trajetória do aborto no brasil, zine | Comments Off on (zine) “embarazoso: pequena trajetória do aborto no brasil”


EMBARAZOSO é uma zine produzida em julho de 2020, em meio à uma pandemia mundial. Através de reflexões antropológicas e pesquisas bibliográficas, foi criada uma pequena linha do tempo do aborto no nosso país.
Para chegar à essas conclusões, visitamos não só artigos científicos feitos por pesquisadores em universidades mas também – e principalmente – zines, blogs, entrevistas e conteúdos não-acadêmicos. Sabemos que há pouca pesquisa sobre aborto no Brasil por falta de interesse estatal nisso e as pesquisas que têm muitas vezes abordam a questão dentro da norma que as universidades pedem. Conteúdos não-acadêmicos fogem à norma.
Esta zine pretende ser mais uma dessas produções que fogem à norma porque, apesar de ter sido escrita por acadêmicas e se basear em instrumentos de pesquisa especialmente acadêmicos, ela ultrapassa os limites nos quais param os artigos científicos na maioria das vezes.
A zine pode ser acessada, citada, utilizada e distribuída gratuitamente:
embarazoso zine(2)
Posted: July 8th, 2020 | Author: silvamistica | Filed under: himen elastika literatura erótica anti-pornográfica | Tags: contos eroticos, himenelastika, lesbianas, lesbica, lesbicas, tribadismo | Comments Off on Cumbia Del Inferno

– Melhor fazer aqui ou em outro lugar?
– Ah, cê sabe que pra mim o melhor lugar é a casa. Sempre. Sem contar que aqui a gente se protege do tédio, caso ele apareça; se protege de qualquer climão que possa surgir e de todas as outras coisas possíveis.
– Tá. Então vou convidar só quem eu acho que vem mesmo. Você vai chamar todas as suas amigas?
– Nossas amigas são as mesmas rs
Uma parte só. Mas tenho que admitir que depois de que decidimos morar juntas isso ficou mais intenso. As nossas amigas são as mesmas. Como ela mesma disse. Facilita em partes porque a lista é uma só pras festas mas quando se trata de socorro ou de consolo, a lista também é uma só. É a mesma.
Não estudamos juntas nem nos conhecemos no trabalho. As amigas realmente vieram de locais diferentes mas na comunidade sapatão a integração é rápida e quando fui perceber os círculos já tinham se misturado. Sem contar que, algumas já haviam se relacionado com outras como já estamos acostumadas.
Hoje ficou decidido que iríamos apresentar a casa e o “viver juntas” pra todas. A gente também decidiu não casar e este seria o momento que substituiria o casamento. A nossa festa. Tenho até um vestido de noiva colorido que não se parece nada com um tradicional. Isa vai vestir algo que não sei, junto com um chapéu mexicano. Cumbia. Pensamos em algumas pinturas corporais pro rosto e pro corpo. Queria usar algo azul nos olhos.
Tomara que todas venham com fantasias. A festa tem um propósito mas também é uma desculpa para me vestir de demônio e receber as mulheres que eu gosto. Não sei se Isa sabe mas eu me sinto realmente mais atraente quando me fantasio assim. Me fantasio às vezes, fora de contexto, pra mim mesma e fico reparando em como o meu olhar gosta do que vejo.
…
– Bem, uma amiga minha que você ainda não conhece vai vir hoje, tudo bem?
– Por mim tudo bem. Vou começar a me trocar. Recebi umas fotos no grupo. Você não vai ser a única com um chapéu mexicano rs
– O nome dela é Débora.
– Hm, bonito o nome. Sinto que quer me dizer alguma coisa.
– Quero. Tive um sonho hoje a noite com ela. Nunca me aconteceu de sentir atração nem nada mas no sonho a gente transava aqui.
– Nós três?
– Sim, eu você e ela.
– E você acha que a gente devia fazer?
– Haha não sei. Acho que te contei isso mais porque eu sei que você pensa em fazer um menage e tenho sentido uma parte de mim querer também.
– Tá bem, amor. Vou ficar atenta aos detalhes hoje. Por que não me apresenta ela e nós vemos como as coisas acontecem? Sei lá, não gosto muito de marcar essas coisas. É bom quando essas situações só fluem.
Antes de me trocar pensei em me masturbar no chuveiro. Tem um vibrador que quase não usamos pra quando tem água corrente envolvida. Sempre me sinto melhor e mais viva depois de gozar comigo mesma. Me fantasiar depois disso foi um ritual muito mais gostoso e sensível. Podia sentir meus dedos mais ágeis para pentear os meus cabelos, os batimentos cardíacos mais leves depois de passar o corpo por um estado de clímax e a boca com um pouco de saliva. Me masturbar me causa muitas coisas boas mas, quase nunca me deixa com menos vontade de transar. O efeito é outro e as duas coisas são diferentes.
…
– Já ligo o som?
– Sim. Quero dançar um pouco você antes.
– Antes do que?
– Antes das outras chegarem, antes de você me apresentar pra sua amiga que eu ainda não conheço, antes da gente talvez fazer um menage.
Rimos juntas e dançamos um pouco juntas. Algumas de nossas amigas chegaram antes. Mais tarde a casa encheu. Em um momento Isa veio até onde estava, avisou no meu ouvido que ela havia chegado, deu um sorrisinho e saiu. Senti um arrepio e sabia o que significava. Antes de seguí-la, parei e observei o meu corpo: corado, com um pouco de calor e uma pequena lubrificação na vagina. Penso se não foi a cumbia grave de fundo que transformou essa informação simples num convite extremamente excitante que percorreu todo o meu corpo, ou ainda, as fantasias que usamos todas e que representam parte dos nossos desejos. Fiquei paralisada uns segundos pensando, mordisquei a boca e fui atrás delas.
– Essa é Carla. Carla essa é a Lorena minha companheira.
– Finalmente! Isabela sempre falou de você e ja estava começando a pensar que ela tinha uma namorada imaginária.
– Haha então que bom que a gente se encontrou pra você ver que eu existo e que faço uma caipirinha maravilhosa. Você quer?
Fomos as três pra cozinha. Conversamos a maior parte da noite. As três. Carla queria ouvir histórias sobre as nossas amigas que estavam na festa porque não conhecia ninguém. Só nós duas. À cada história que contávamos nos olhávamos no fundo dos olhos. As três. No começo olhares mais tímidos mas ao longo dos minutos alguns olhares começaram a acompanhar alguns suspiros. As histórias ainda estavam sendo contadas mas era somente uma desculpa pra ainda continuar mexendo a boca e a língua. Nos aproximamos para facilitar um beijo entre duas. Depois entre as três e alternando. Perguntei se elas achavam que seria muito ruim se escapássemos uns minutos da nossa própria festa. Subimos para o quarto. Acho que ninguém reparou. Fui a primeira a ir para a janela e ficar observando as duas. Disse que me agradaria vê-las dalí um pouco. Gostei da presença do som da cumbia ao fundo, de ouvir os suspiros, os beijos e as vezes em que olhavam para mim. Confesso que ver a minha companheira chupando a buceta dela me proporcionou um orgasmo visual. Visual e físico. De ficar escorrendo. Depois de sentir as coxas molhadas, passei a mão e chupei os dedos. Deitei ao lado delas. Assisti seus orgasmos até o final. Senti uma sensação extrema de relaxamento.
– Deixa eu sentar em você? – Disse pra Carla que estava retomando a respiração aos poucos.
Sentei e ela revirou os olhos quando percebeu o quanto estava molhada. Ao mesmo tempo, pediu pra ser chupada de novo e assim fizemos ficando imersas nos nossos barulhos até retornarmos aos barulhos da festa que havíamos marcado.
Posted: July 1st, 2020 | Author: silvamistica | Filed under: himen elastika literatura erótica anti-pornográfica | Comments Off on Vaginas y Pedras Íntimas

– Bê, e se a gente adiantar esse lance da viagem?
– Aquela que deixamos pro ano que vem?
– É, sei lá, a gente vive trocando ideia sobre essa viagem que, supostamente, seria a mais importante das nossas vidas, que nos ajudaria a ter coragem, abandonar o medo mas aí fica eu aqui e você aí do outro lado do sofá trocando ideia sentada…. Sinto como se fossemos incapazes de decidir algo.
– Tenho sentido isso também mas acho que nunca teria te falado. Achei que era por causa do… você sabe… do tempo que estamos juntas. Uma relação de muitos anos como a nossa não é intensa pra sempre. Eu não sei se hoje eu consigo arcar com as coisas que imaginávamos antes.
– Talvez seja bom imaginar outras.
– Outras o que?
– Outras coisas. Quando a gente se encontrou sem querer nos rolês do centro eu mal pude contabilizar a quantidade de coisas que imaginei poder fazer juntas. Ainda bem que não consigo lembrar daqueles desejos porque eles eram muito mais pensamentos impulsivos baseados nos meus reflexos-pensamentos do que desejos reais. Percebi que os desejos reais vem com o tempo.
– E o que está acontecendo? Já temos o tempo e aqui dentro sinto uma pequena quantidade de desejos. Adoro tudo que está relacionado à você mas, às vezes, sinto que um pouco de mim não está mais aqui quando estamos juntas. Queria voltar nas sensações do espaço-tempo anteriores, nos primeiros meses que passamos juntas.
– A tentativa de ir pro Uruguai?
– Isso! Lembro de cada coisinha que você me disse no caminho.
Foi a primeira vez que eu viajei com uma mulher com a qual eu não tinha laços de parentesco ou relações sexuais/românticas. Não tenho muitas histórias de viagem também. Na maioria delas eu estava com tias, primas, amigas ou, acompanhada da heterossexualidade compulsória. Então as viagens davam histórias diferentes. Depois eu me tornei uma pessoa diferente que merecia uma nova história. Você apareceu e me lembro de te ver nos encontros iniciais como a famosa lésbica trilheira/mochileira. Estranhei no começo mas foi incrível explorar as nossas sexualidades e as cidades em que estivemos juntas. Explorar no bom sentido, o de descobrir, investigar, entender as coisas à tempo. Ainda bem que fizemos.
Você dizia que o único jeito de sermos felizes, sozinhas ou em relacionamentos afetivos, era conhecendo outros territórios, outras pessoas e outros estados de consciência. Nunca fui muito boa com substâncias que alteravam a consciência rs mas descobrimos juntas como algumas substâncias endógenas – de dentro do corpo – alteravam a consciência, o estado físico do corpo, os humores, a saúde, a espiritualidade, a sensação de ter ou não ter felicidade. O orgasmo virou pra mim a minha substância preferida. Você e ele me levavam pra outros territórios pralém do corpo.
Pra tentar chegar no Uruguai primeiro a gente tentou sair do território do centro. Lembro que o primeiro passo foi acampar na fronteira do nosso estado. Andamos muito. À ponto deu achar que já tinha conversado sobre todos os meus assunto nos primeiros dias. Entrei em desespero por achar que não conseguiria conversar. Você me disse que gostava de silencio nas viagens pra sentir que havia saído do centro. Depois disso nunca mais tive medo.
A gente acampou quilômetros e quilômetros antes da fogueira porque não somos boas com planos. Também porque, bem perto da onde ficamos tinha uma cachoeira escondida, um lago e nenhum sinal de presença humana aparente. Desistir de ir pro Uruguai foi a melhor decisão que fizemos.
A barraca que levei era pra 6. Pensamos que assim ela aguentaria as possíveis crises emocionais que poderiam rolar e assim poderíamos dormir mais separadas, também protegeria todos as coisas que tínhamos das chuvas ou do frio e até mesmo abrigaria alguém a mais, se necessário. Não apareceram outras pessoas, não choveu e a gente não brigou. Lembro que lá pela segunda semana que estávamos juntas, achamos uma pedra que parecia uma vagina mas como estavamos chapadas demais e nunca deu pra saber. Só sei que ficou frio pela primeira vez e tivemos que sair da água. Foi a primeira vez que acendemos a fogueira e deitamos num lençol no chão. Você pediu pra eu reparar nas linhas do fogo que saiam da fogueira. As linhas que pareciam bucetas. Quando a gente tenta desenhar uma buceta de qualquer jeito ou correndo. Ri mas tive que concordar. Te disse que já tinha percebido como a maresia me deixava excitada mas nunca tinha me ligado nas sensações perto do fogo. Os nossos corpos estavam protegidos do frio, protegido dos outros e protegidos das loucuras que as vezes nós mesmas fazemos com eles. Lembro de sentir um calor imenso ao pensar nisso e implorar para que você me ajudasse a ter um orgasmo. Parecia o momento perfeito. Você me beijou por uns minutos sentada em cima de mim e disse pra eu prestar atenção em “como você se derretia por mim às vezes”. Eu disse que me derretia sempre. Então paramos de nos beijar e quando me disse pra eu mostrar como queria fazer eu disse que queria tinha ficado com uma vontade enorme de me masturbar mas que não queria parar de beijá-la. Você deitou o corpo do meu lado direito e as mãos dentro do meu cabelo. Me beijou devagar, com alguns selinhos. Quis me masturbar rápido. Abri os grandes lábios. Peguei um pouco de lubrificação na vagina mas também nas minhas pernas escorrendo. Enfiei o dedo do meio na minha buceta e dobrei-o ao mesmo. Fiquei movimentando. Aproveitei o momento de excitação e com a outra mão fiz um pouco de pressão na região da bexiga. Lembro que adorei parar de beijar sua boca e começar a beijar seus seios. Decidi, meio confusa, demorar mais pra gozar e quando não aguentei mais, tive alguns orgasmos seguidos. Comecei a rir. Achei que tinha feito muito barulho mas então lembrei que só tinha eu e você pra ouvir. Nós duas sabemos que o segredo dos orgasmos múltiplos é poder fazer barulho. Lembro que depois também adorei chupar você enquanto agarrava a minha cabeça com as mãos e puxava pra ir mais fundo acompanhando o movimento da minha língua, pra cima, pra cima. Foi aí que percebi que não era só o orgasmo a grandiosa substância mágica afetiva que eu tinha te falado. A substância era gerada nos movimentos todos: o jeito de dedar a minha buceta, masturbar o meu clitóris, roçar o meu clitóris em outro ou em outras partes do corpo, chupar a sua buceta… No fim a gente não foi pro Uruguai mas foi porque nenhuma de nós desejava sair dalí.
Posted: June 19th, 2020 | Author: silvamistica | Filed under: himen elastika literatura erótica anti-pornográfica | Tags: contoseroticos, himenelastika, lesbian, lesbianas, lesbicas, literaturaerotica | Comments Off on Meu Espelho São As Outras

– Você já masturbou olhando pro espelho?
Sempre fico meio constrangida com essa pergunta.
– Não. Tenho vergonha de olhar pra minha buceta.
E a nossa manhã começou assim com uma pergunta afiada e uma reflexão profunda que parece que entra pelos olhos até ficar cutucando o cérebro.
Há muito tempo temos feito textos e ações feministas pra nos valorizarmos e pra se fazer perder o medo dos nossos corpos. É ruim de assumir que a caminhada ainda é longa e que às vezes a gente esbarra em uns incômodos estranhos. Não há problema em se masturbar, em olhar as outras se masturbando. As duas coisas são extremamente excitantes mas me pega esse lance de abrir as pernas e ver à mim da perspectiva das outras.
Dá um pouco de medo de olhar pro espelho e de repente não me reconhecer. Quando toco a minha siririca sem ele (o espelho) ainda consigo estar escondida e fico tranquila. Me ver friccionando o clitóris bem rápido seria assumir a minha autosexualidade, reconhecer os pequenos e grandes lábios balançando conforme a fricção da siririca poderia me enlouquecer e acho que eu teria vergonha de ver as minhas caretas.
– Você já? (depois de minutos pensando sozinha)
– Me masturbei olhando pro espelho? (riu). É o que eu mais gosto de fazer… depois de me masturbar pra você.
– Qual é a sensação de se ver?
– Ah… é muito diferente de ver as outras. Tem vezes que eu olho pro espelho, pequeno ou grande, e nem me reconheço. Pareço um pouco diferente porque estou diferente. Sou uma mulher que se masturba pras outras e se masturba pra si mesma. Também gosto de como reconheço os lábios todos, o clitóris, o colo, os pêlos. Sinto como o clitóris incha quando eu o reconheço e, pode me chamar de louca mas me sinto excitada comigo mesma. É praticamente uma transa. Tem as caretas, os gemidos, uma pessoa fora e outra dentro do espelho. Se eu quiser, posso beijar a minha mão e morder o travesseiro. Tem o cheiro de buceta, os orgasmos fortes e a lubrificação escorrendo pelas pernas.
– Não sei… no caminho tenho medo de encontrar com alguém que eu não conheço.
– Se encontrar, essa pessoa ainda será você mesma.
Fiquei aflita e curiosa. Depois que conversamos, tive um enorme tempo livre e sozinha em casa. Um espaço que poderia ser ocupado por qualquer coisa. Mas das coisas todas uma delas eu queria mais.
Não tenho espelho pequeno em casa. Queria exatamente aquele que imaginei: redondo, mais ou menos do tamanho do meu rosto, com uma aste pra segurar. Pensando melhor tem um espelho que eu usava pra me maquiar que vem grudado com o pote de maquiagem. Do tamanho da palma da minha mão. Levo pro quarto e olho pra ele. De perto dá pra ver meus olhos e talvez e nariz. De longe, o rosto. Reparo como a minha boca é bonita. Qual deve ser a sensação de beijá-la? Se eu passo a língua nos lábios inferiores dá pra ter mais ou menos a sensação. Não posso me beijar mas posso passar a mão no meu pescoço e ver o meu rosto aquecendo. Sento direito. As pernas abertas o suficiente pra sentir como estou excitada. Seguro o espelho com as mão esquerda, aponto para a minha boca e me masturbo devagar. Quando percebi que estava me provocando através do espelho estranhei um pouco mas continuei e os movimentos ficaram mais rápidos até eu gozar. Não sei se isso durou 3 horas ou 2 minutos. Impossível de saber. O espaço e o tempo não entenderiam.
Relaxada do orgasmo quis engatar em outro. Deitada na posição normal não me pareceu atraente. Tem um espelho no banheiro que serve pra vermos os nossos rostos quando acordamos mas eu poderia usá-lo como nunca havia usado antes. Foi preciso uma cadeira pra subir e encaixar a minha vagina no ângulo de espelho que refletiria o meu rosto. Dessa vez não tive medo. Com as pernas um pouco fechadas, abri os lábios maiores da vulva e senti a minha vagina molhada enquanto fazia círculos com os dedos. Posso afirmar com toda certeza que fiquei alí por 350 minutos. O ângulo do espelho não permitiria que eu visse o meu rosto então o imaginei. O cabelo bagunçado, os olhos revirando, a boca sendo mordida por mim mesma. Subindo os dedos para o clitóris apertei-o um pouco mais firme e devagar, criando uma pressão e depois um relaxamento, pressão, relaxamento… Repeti o movimento que fazia com os dedos na vagina nos meus seios ao mesmo tempo. Não sei o que me fez ter aqueles orgasmos seguidos.
Seria possível me masturbar de um jeito que pudesse ver meu corpo, meus olhos e a minha buceta juntos? Lembrei do espelho grande da sala e dos 15 minutos que tinha livre até que alguém chegasse. Pensei um pouco enquanto corria pra ele e quando me vi alí, nua, refletida no espelho, realmente não me reconheci. Passaram-se alguns segundos e me acostumei. Quis fazer diferente das outras vezes e deitei no chão com as pernas dobradas e abertas. Como na posição de um parto. Me vi tão linda. Abri um pouco mais as pernas para ver dentro. Senti tanto tesão que parecia que meu corpo estava derretendo. Enquanto me via, contraía a musculatura da vagina, subia e desci o corpo num ritmo que acompanhava a minha respiração. Sentia como se fosse gozar sem me tocar. Ia gozar sem me tocar. Tive um orgasmo e caí no chão.
Posted: May 29th, 2020 | Author: silvamistica | Filed under: himen elastika literatura erótica anti-pornográfica | Comments Off on Cariño

– Em espanhol algumas minas se chamam de “cariño”!!
– Carinho?
– Sim, de carinho, querida, bebê…
– É a coisa mais linda.
Um silêncio.
– Você acha que eu deveria ser mais carinhosa?
– Quê? Claro que não. Por que?
– Ah, sei lá, porque vc veio com esse papo do cariño e tem conversado sobre isso ultimamente. Achei que era um jeito seu de botar o assunto pra mim e me avisar.
– Não… eu só queria te mostrar a palavra fofa. Mas não ligo se quiser me chamar assim rs.
– Você me diria se precisasse que eu fosse mais carinhosa com você?
(Exitei um pouco mas depois saiu). – Diria. (E ela acreditou)
Não diria não. Essas coisas são difíceis. Pedir afeto é difícil porque, às vezes, acho que as pessoas só dão o que elas podem. Pedir mais afeto ou mais carinho seria interferir demais. O problema é que já tem um tempo que não me sinto acarinhada. Estamos juntas num relacionamento? Estamos. Mas não num relacionamento com carinho. Sempre soube que, depois de um tempo junto de alguém, o amor acabava. Isso é óbvio. Tá em todo livro, filme ou novela por aí. Só não sabia que o carinho acabava também. Disso não fui avisada. Fiquei pensando no que é que sobra então. A companhia, o sexo, alguns planos mas eles também desanimam se não tem carinho envolvido neles… Sobra o cuidado também. Cuidado não deixou de existir. Cuidamos uma da outra como se fossemos qualquer pessoa que necessita de cuidado. Carinho é um cuidado específico, mais direcionado. Mais gostoso também.
Talvez isso seja uma urgência amorosa que eu deva informar agora pra ela. Como falo isso? “Oi, sei que seu trabalho tá pesado e que já estamos juntas a um tempo mas será que você podia tentar ser um pouco mais carinhosa comigo?”. Péssimo. Dói de pensar, imagina de falar. Pode ser que eu esteja sendo mimada e exigente demais. É… Ela tem um monte de coisa pra pensar e vai ver isso passou despercebido ou talvez eu realmente não mereça mais do que esse nível de carinho. Há limites pra tudo e sei que tem vez que sou exagerada. Mas não custa falar, né? Já que tô pensando nisso. Posso falar que fiquei pensando nisso depois do que ela falou e queria conversar mais sobre!! Quem sabe mandar uma mensagem agora no meio do dia enquanto estamos cada uma num canto?!
(Txt) – Oi, lindezza. Aqui no trampo tá um tédioooo. Não deixei de pensar em vc nem um segundo, acredita? Tá tudo bem aí?
(Txt) – Tudo! Aqui tá chato tb mas eu dormi dps do almoço e foi legal.
(Txt) – Que bom que dormiu <3 Fiquei pensando dps q cê falou do lance do carinho uma coisa
(Txt) – Foi vc que falou
(Txt) – Eu sei mas vc me fez aquela pergunta e fiquei pensando
(Txt) – Q pergunta? bb tão me chamando aqui e vou ter que fazer umas coisas. Também tô mt tempo mexendo no celular. Vou dar um tempinho. Mais tarde to aí, Bjzzz
Não deu pra falar agora. Muita coisa deve estar acontecendo e é ruim mesmo passar muito tempo no celular, né? Deve ser isso.
Quando cheguei em casa ela já estava lá. Às vezes eu chego antes. Varia. Tava dormindo no sofá. Dei um beijo na testa. Fiz um lanche e deitei junto. Essa parecia uma sensação ideal de carinho mas ela estava dormindo. Não sei até que ponto era uma sensação compartilhada ou eu estava vivendo sozinha.
– Faz tempo que você chegou? (Ela disse acordando)
– Um pouco. Deu tempo de comer e de lavar a louça.
– Hm, então chegou agora porque eu já tinha lavado quase tudo rs
– Tá. Você me pegou. Lavei meu prato e..
(Me interrompeu) – Ai, quer transar um pouquinho?
– Agora? Do nada?
– Sim, você sabe que eu gosto de dar uma rapidinha depois de acordar.
– Ah, baby, não vai rolar. Tô sem pique. Sem contar que, na real, queria trocar uma ideia com você.
– Que foi?
– Preciso que você seja mais carinhosa comigo.
– Ué?! Isso é porque eu sugeri da gente fuder agora? Foi só uma ideia e eu já desisti dela. Por que isso agora?
– Não é agora, bem… você mesma não disse que tinha percebido que esse assunto ta rondando a gente? Teve também nossa conversa hoje cedo sobre “cariño” e sei lá, achei que você tivesse entendido.
– Acho que cê tá viajando. Eu tô o tempo todo aqui pra você. Agora pouco a gente tava abraçada…
– Fui eu que te abracei. Sou sempre eu que te abraço, se eu não não me enfiar no meio dos seus braços acho que eles nem aconteceriam.
– Mas eu retribuo.
– Isso não é o mínimo?
– Já disse que você tá viajando, pedindo demais pra uma situação besta. Vou encontrar umas amigas daqui a pouco pra gente beber no centro. Por que você não vem pra relaxar?
– Não preciso relaxar, preciso conversar com você.
Brigar assim dá vontade de terminar. Sempre. Faz tempo que essa sensação não acontecia mas depois de sentir ela uma vez, já era. A parte boa é que agora tenho um tempo maior pra ficar sozinha pensando e quando ela voltar mais tarde a gente pode investir nisso de novo. Que droga. Odeio ficar esperando por uma conversa que poderia ter acontecido antes. Naquela hora. Qual a dificuldade?
Os minutos tavam passando muito devagar enquanto ela não chegava. Comi todas as unhas e as comidas da casa. Já me masturbei ouvindo duas músicas que eu gosto mas gozei rápido porque não tinha tesão. Ela chegou e agora era eu que estava jogada no sofá.
– Trouxe um docinho.
– Tá bom. Deixa aí que depois eu como.
– Que houve?
– Comi todas as comidas da casa enquanto você não chegava e agora to sem fome.
– Tá, mas o que houve mesmo mesmo?
– Você me deixou aqui no meio de uma conversa que era muito importante pra mim.
– Te chamei pra ir comigo beber com as meninas.
– Mas eu queria que a gente, pelo menos, tentasse concluir as conversas, as ideias. Não queria tomar cerveja e falar besteira hoje.
– Desculpe. Devia ter ficado. A gente nem bebeu quase nada. No final das contas ficamos conversando sobre o casamento da Isa que vai rolar mesmo elas se odiando. É tudo pra manter a imagem delas de relacionamento eterno. Fico triste. Daí pensei em você. Que preciso melhorar. Que te amo como nunca amei ninguém.
– E isso é bom? Você me amar como nunca amou ninguém antes? Me diz por que eu preciso saber. Às vezes acho que se você me ama como nunca amou ninguém então não quero.
– E o que é que você quer?
– Quero que você seja mais carinhosa comigo!
Silêncio.
– Da primeira vez que você me disse isso eu não dei tanta atenção mas agora entendo a importância. Será que você me desculpa e me diz como que eu tenho que fazer?
– Sim, cariño.
Um abraço depois disso e senti que parte das coisas estariam resolvidas.
– Linda, acho que agora eu tô pronta e tô querendo transar com você. Na real, enquanto você não tava eu até toquei uma siriricas só que senti falta de beijar sua boca enquanto tô pra gozar. Igual a gente faz.
– Hmm eu tava pensando e querendo a mesma coisa.
Ficamos abraçadas um tanto de tempo. Difícil desgrudar de um abraço carinhoso. Além de tudo, às vezes, no meio do abraço, as pernas se encaixam dum jeito que não dá vontade de sair. A vontade é a de apertar mais, roçar, roçar, roçar até ter um orgasmo. Estar abraçada também deixa que a gente sinta, beije, mordisque o pescoço uma da outra. Não deu pra ficar muito tempo de roupa. Tiramos os shorts que já estavam quentes. As calcinhas grudando. Ela abriu as pernas. Encaixei as minhas de um jeito que meu clitóris roçava na coxa e, depois no clitóris dela. Pra cima e pra baixo. Adoro a fricção e todo esse momento. A cama balançando, o corpo indo e voltando, a gente mordendo a boca. Às vezes demora um pouco pra gozar mas outras vezes eu já gozei antes de começarmos. Dessa vez gozei antes, depois, durante. Já acabou e ainda tô gozando.
Tesoura é instintivo, né? Tem vez que nunca vai mas é sempre gostoso. Quando estamos muito molhadas posso ouvir os barulhos. Até esqueço que quero atingir um orgasmo quando roçar é o orgasmo em movimento. Parece que uma buceta quer comer a outra. Nem imagino como deva ser gozar ao mesmo tempo.
Posted: May 27th, 2020 | Author: silvamistica | Filed under: feminismo | Comments Off on Anti-Romântikas

Anti- Romântikas
Matar o amor para convencê-la
a não vender seus órgãos, seu afeto e seus sentidos
guarde-os com você junto com seus olhos
e os sistemas de pensamento.
Infelizmente você abriu seu coração pra um verme
quando estava fingindo estar apaixonada, lembra?
Eles tem muitos formatos
geralmente são homens, livros, cursos de animação, homens,
jogos de azar, amigos antigos, homens ou homens.
Achou que abrir o seu coração para uma mulher te traria sorte
mas isso não é um serviço de teleatendimento
não atenderão aos seus pedidos
e você vai se sentir a própria metáfora do coração partido
em carne viva e mentira
a literatura sobre amor nunca enganou
devemos matar o amor
e o que fazem juntas duas pessoas que não se amam?
companhia, sexo, carinho, comida pras amigas…
não vejo a hora de estar ao lado de alguém que eu não amo
falar com estranhas e dormir com conhecidas
gostar muito mais das amigas
que são todas
ainda dá pra cantar o amor nas músicas e as metáforas do coração batendo,
do coração partido
tudo tão anti-científico
e o afeto que sinto?
matar o amor para convencê-la
de que as relações não correm perigo
agora pode viver sozinha, viver comigo
não precisamos de mais mentiras ideológicas entre nós todas
além das que já temos
matar o amor para convencê-la
Posted: May 20th, 2020 | Author: silvamistica | Filed under: himen elastika literatura erótica anti-pornográfica | Comments Off on Períneo Períneo

– Hoje eu tenho o dia livre, cê quer vir me ver?
– Ufa! Quero. Tô com saudade de você.
– Também. Por isso que quando soube que ia tá de boa hoje já pensei em você e decidi mandar mensagem.
– Essa semana tenho pensado muito em você.
– Então mais tarde você me chama aqui no portão? Posso te esperar?
– Sim!!
Hoje é um daqueles dias no meio da semana que de repente cancelam a aula na faculdade, te liberam mais cedo do trabalho e me sobraria uma noite toda livre. Não dá tempo de planejar uma viagem ou de encontrar um show incrível na cidade pra dançar um pouquinho. Às vezes dá mas dessa vez não. Só que desperdiçar esse milagre dos tempos modernos também seria péssimo. Faz quanto tempo que eu não transo? Me vem essa pergunta aleatória na cabeça. “Faz tempo”. Respondi pra mim mesma. Lembrei que tinha alguém em especial que eu gostaria muito de ver hoje. Mandar uma mensagem não custa nada, né?
No caminho do trabalho pra casa fiquei inquieta, o ônibus começou a ir mais devagar e eu tive tempo de criar várias hipóteses do que poderia acontecer à noite. Vou comprar cachaça porque ela gosta e colocar uma cumbia que não seja muito alegrinha mas que seja gostosa. Será que a gente vai transar? Pensei nisso e na hora senti que meu períneo contraiu, fiquei excitada. A nossa imaginação sexual é impressionante. A gente pode transar com várias pessoas na vida mas sempre tem aquelas que deixam a gente com as pernas escorrendo. “Amor de Buceta”, minhas amigas dizem.
Mas além de transar a gente tem tanto pra conversar. Não sei se vai caber no tempo que temos. Não a vejo desde o dia em que decidimos ficar um pouquinho longe uma da outra. Na época a gente achava que tava transando demais. Até pra mim. E aí pareceu, por um momento, que a gente não conversava, não se conhecia… o sexo tomou conta de tudo o que tínhamos construído juntas. Hoje, vendo as coisas com mais delicadeza, sinto saudades do começo, quando a gente transava mas também conversava sobre outras coisas e às vezes até dormia agarrada sem transar. O problema é que nós duas transávamos muito bem juntas e tudo ficou demais. Foi ela que me ensinou a escrever as histórias sexuais que passavam pela minha cabeça todo dia pra exercitar essas ideias e aprender a trabalhar a minha sexualidade duma forma mais controlada. E eu ensinei pra ela que ela devia se exercitar, especialmente, dançar pra ter o mesmo efeito. Antes da gente se “separar”, uma ajudou a outra com estas ideias para melhorarmos. Acho que no fundo a gente queria melhorar pra tentar de novo.
Ainda ando com o caderno de histórias sexuais lésbicas rs. Será que ela ainda dança? Adorava quando dançávamos cumbias agarradas e depois transávamos muito. Hoje a história é sobre o meu períneo, a parte entre o cu e a vagina que, aparentemente não teria nenhuma função além de segurar o nosso corpo. Mas pra mim o períneo é uma zona erógena do corpo que devia ser mais explorada. “Períneo Períneo” vai ser o nome da história ou talvez “Perigo Períneo” porque é um ponto que me deixa fraca rs.
Deu pra escrever um pouco enquanto não chegava em casa mas agora estou me concentrando em não morrer de ansiedade pra ela chegar logo. Primeiro encontro de novo. Sinto todas aquelas bolinhas no estômago mas é engraçado e não me assusta. Coloquei uma roupa leve porque não vamos sair e porque também fica mais fácil de tirar se, de repente ela quiser. Poupei seu tempo botando só um vestido, sem sutiã e calcinha. Vestido vermelho, chinelo mesmo. Já comecei a beber o vinho. Ela chegou.
– Ô linda, abre pra mim?!!!
Lembrei que ela falava assim pra mim quando ia me chupar e fiquei molhada na hora.
– Tô indo, pera aí!
Chegando perto do portão ela piscou fazendo graça, comentou sobre o meu vestido e percebeu a boca manchada de vinho.
– Se eu soubesse que era uma festa tinha me arrumado mais.
– HAHA Ainda pode ser uma festa mesmo desarrumada. Tô te enchendo, cê tá linda. Entra.
Fechei o portão, peguei ela pela mão e tava quente. As mãos estavam quentes, o meu corpo tava fervendo e pude sentir de novo o tesão subir pelas minhas pernas e chegar até a cabeça. Entramos em casa e ela coloca o meu corpo entre o dela e a porta. Chega perto de mim o suficiente pra eu começar a suar.
– Quando você me chamou pra vir aqui hoje eu não pensei que a gente devia transar. Mas agora você tá aqui na minha frente e eu só quero tirar a roupa e chupar sua buceta. Você quer?
Nos beijamos. Ela levantou um pouco o vestido, passou os dedos…
– Nossa… por que você já tá tão molhada? – disse revirando os olhos.
A coisa que ela mais gostava era deixar outra mulher excitada. Era uma das coisas mais importantes.
– Você me chamou ali no portão e eu já fiquei ansiosa pra transar com você. Foi isso. Também não tava pensando só em transar, até por conta dos nossos combinados mas… é difícil controlar meu corpo quando estamos juntas. Você me come muito bem também então tudo isso mexe comigo.
– Vamo transá um pouco mas sem exageros, depois conversar, comer e ouvir uma música?
Plano perfeito. Subimos no sofá que tava perto. Eu subi nela, ela subiu em mim. Meu vestido foi só botar pra cima. A roupa dela foi mais demorada mas adorei o ritual de tirar devagarinho enquanto dava beijos e chupava a buceta pela lateral da calcinha. Depois de tirar toda a roupa, continuei ajoelhada. Pedi pra abrir as pernas pra mim. Beijei as pernas todas. Espalhei a lubrificação com a língua pela vagina, vulva, períneo. Lembrei da história que escrevi. Voltei pra região do períneo e fiz um movimento de cima pra baixo que às vezes tocava na pontinha da entrada da vagina. Ela enrijeceu as pernas e pediu pra continuar. Tocava o clitóris com uns três dedos juntos. Movimentos de cima pra baixo. Toquei o meu próprio clitóris com a mão que sobrou porque estava explodindo de tesão. Achei que ia gozar em segundos. Ela gozou e depois eu gozei ouvindo os gemidos altos. Adoro quando ela faz um barulhão porque eu também faço e acho que uma instiga a outra.
– Você tava se tocando também? Que gostoso… Foi muito forte esse, achei que ia morrer de gozar.
– Tava, precisava ter um orgasmo junto com você, afinal, já tava molhada desde de quando você entrou por essa porta.
– Tá cansada? Deixa eu comer você?
Posted: May 20th, 2020 | Author: silvamistica | Filed under: sobre | Comments Off on Contatinhos
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Instagram: @himenelastika
Posted: May 8th, 2020 | Author: silvamistica | Filed under: himen elastika literatura erótica anti-pornográfica | Tags: himenelastika | Comments Off on Paredes Rugosas

– Às vezes tenho a impressão de que meu corpo tem uma textura estranha, rugosa, que não dá pra perceber de longe. Só sentindo. De longe eu acho que parece que tudo é liso, escorregadio. Quando eu passo a mão pelo meu corpo percebo como a parte de fora se parece com a parte de dentro, rugosa. Qual sua parte preferida da buceta toda?
(Estávamos juntas de novo, tentando ver um filme ou transar. Não sei. Nunca entendo. Pra mim sempre vale a pena transar um pouquinho mas sempre vale a pena ver um filme. Acontece que conversar sobre a buceta é muito estimulante e divertido. Mesmo que depois a gente não se agarre. Sinto um certo prazer em tocar no assunto e em ser compreendida.)
– Puts…tem que escolher uma parte? Da sua eu gosto dela toda.
– Não vale. Tem que escolher. A gente sempre gosta mais de uma parte.
– Gosta dela molhada, sei lá… da lubrificação, da parte dela que é responsável por te deixar molhada quando a gente tá junta. Adoro quando acho que tá molhada, te toco um pouco e vejo que tá. Me deixa mole, mexida, parece que vou derreter junto com você.
– Gostoso… tá bom, a lubrificação vale como uma parte que você gosta da buceta.
– E você? Gosta de qual parte?
– Pra mim é fácil! Das paredes rugosas.
– Como assim?
– Sabe quando você tá excitada, coloca um dedo até a metade e faz um movimento pra cima na direção da bexiga ou da barriga? Nunca consegui gozar assim mas eu sinto as paredes rugosas. Tem um milhão de teorias sobre elas e acho elas curiosas. Também é gostoso de ficar tocando. Mesmo que eu não goze. É uma pira minha com as vaginas.
– Sei. Falam que é bem por alí que dá pra ejacular, né? Soltar aquele jatinho. Parece um orgasmo mais intenso. Nunca tive. Na real, não conheço muito dessa parte. Sou viciada no clitóris e cada dia descubro um movimento novo que eu gosto. É infinito.
– Também gosto. Cê nunca tocou lá? Na parte rugosa?
– Acho que não. Me mostra?
Desci com a mão por dentro da calcinha. Essa conversa sobre nossas bucetas me deixou excitada. O corpo dela estava quente. Ela passou a mão por dentro do meu cabelo e começou a fazer um certo movimento. Entendi que era o movimento que ela queria que eu fizesse na buceta. Ela sempre faz assim. É o nosso combinado. A buceta tava molhada. Senti pela calcinha. Ia mostrar as paredes rugosas mas achei melhor tocar no clitóris um pouquinho. Seguindo o movimento que ela fazia em mim. Eu fazia nela. Um movimento na diagonal, pressionando um pouquinho, depois pressionando mais forte, mexendo os dedos mais rápido até chegar num ponto em que ela não consegue mais se concentrar no movimento que faz no meu cabelo e começa a respirar mais forte. A respiração fica alta e saem uns gemidos acompanhando a velocidade dos dedos. Rápido e pressionando um pouco. Demoram uns minutos nesse transe até que os gemidos silenciam um pouco e depois vem um gemido mais forte e rasgado. À cada gemido eu ficava mais molhada. Esqueci onde estávamos um pouco. Ela tira a minha mão e põe na boca. Achei que a parte que ela mais gostava da buceta era o gosto.
– Adoro gozar quando tô com você.
Outro combinado que tínhamos era o de que gozar dá fome. Então é sempre esse movimento de gozar e comer. Não que sejam muito diferentes. A cozinha é o segundo melhor lugar pra transar. O primeiro é a cama mesmo. Depois de tentar passar um café, recebi um beijo no pescoço quando estava distraída. Entendi que era a vez dela retribuir. Permaneci de costas, ofegando, gemendo um pouquinho. Ela baixou minha calcinha da saia devagar, primeiro com as mãos, depois com o pé. Veio com uma mão por trás e outra pela frente. Sentiu o clitóris e a entradinha da vagina. Eu tava encharcada por ela. Ela percebeu. Deixou as duas mãos no lugar. Começou a me tocar. Me apoiei da pia da cozinha meio desconcertada e deixei ela fazer. Gozei uma, duas, três… Pedi pra parar porque precisava respirar um pouquinho.
– A cozinha é o melhor lugar pra se ter um orgasmo atrás do outro.
– Adoro quando fico por trás de você.
– Não me olha assim. Fico querendo de novo. Vamo comer?
Comemos. Mesmo. Tem dias em que é bom ficar transando por várias horas. Dando uns intervalos pra interagir com outras coisas e depois voltar a fazer. Como num ciclo. Sem ser obsessivo.
– Quer descansar? Ver aquele filme?
– Quero.
Sentamos agora uma do lado da outra.
– Mas fiquei pensando no que cê disse, das paredes rugosas. Me mostra?
– Mostro. Deixa eu tirar sua calcinha?
Tirei a calcinha. Olhei pra ela o tempo todo explicando o caminho. Põe um dedo devagarinho, um pouco fundo, até onde for confortável. Volta com ele pra fora. Põe de novo e desce um pouco até sentir uma parede rugosa que parece listras ásperas.
– Tô sentindo uma sensação gostosa. Não é igual a quando toca o clitóris. Continua. Deixa eu sentir em você?
Tocamos uma na outra durante uns minutos. Ficou mais intenso pra ela então pedi pra parar em mim pra ela gozar. Foram mais uns segundos. Nosso outro combinado era o de que dormir também é gostoso. Então ela me chupou e depois dormimos